terça-feira, 14 de abril de 2009

Como se fosse a primeira vez

Mais uma vez, o Corinthians nos surpreende e testa nossos corações. Mais um clássico, mais uma emoção, mais gritaria e mais gols.
Cada dia que passa, cresce a certeza que o Corinthians vive de emoção, imprevisão e esperança. Esta última que sobreviveu até o minuto final no paraíso chamado Pacaembu.
Todos estavam à espera de um show de Ronaldo, mas quem brilhou mesmo foi o Elias. O cara é o “faz tudo”, faz gol, ataca, defende e ninguém tem dúvidas que aquela cabeçada que evitou o gol dos Bambis foi perfeita.
Será que o Christian tinha idéia que ele seria o herói da tarde? O cara certo no lugar certo? Que teria o melhor chute até hoje na sua vida? E principalmente, que estaria em uma equipe sem igual e com uma torcida incomparável?
Domingo, dia sagrado, dia de jogo, de clássico, de semifinal. Eu e meu pai sentados na sala, brigando com o rádio que não saia o som e vestidos com a segunda pele. Na verdade, eu estava estreando a minha roxinha.
O São Paulo saiu na frente, que raiva! Só que ainda tinha muita coisa para acontecer. Começa então, o show de Elias. O garoto recebe a bola e chuta no canto direito do Rogério Ceni, deixando o goleiro sem reação. Eu fiquei louca na hora, gritei, corri, subi pelas paredes e dei um tapa tão forte na porta que a minha mão ficou doente um tempão.
A segunda etapa teria mais surpresas. O São Paulo teve um jogador expulso, seria a chance de mudar a vantagem e acabar com a partida. Chutes, defesas, bola na trave e nada do “esperado” (gol) aparecer.
Quem é corinthiano, e até mesmo quem não é, sabe que se a vida fosse fácil o apelido da torcida não seria “fiel”. Quantas histórias foram sofridas até o final?
No momento que eu relembrava o lance do último minuto da semifinal do Campeonato Paulista de 2001 entre Timão x Santos, que o Ricardinho fez o gol que classificou a equipe para final, o Christian resolveu aparecer de vez.
Roubou a bola e de fora da área chutou de uma forma perfeita, sem chances de defesa. O que sobrou para o goleiro dos Bambis, quer dizer, do São Paulo, foi buscar a bola no fundo das redes.
Nossa, se eu já tinha ficado louca no primeiro gol, no segundo eu endoideci de vez. Gritei de uma maneira que a voz saiu rasgando, corri sem direção, soquei a porta de alumínio e não consegui segurar a lágrima de alegria que escorreu em minha face. Sem explicação. Eu acreditava não acreditando. De novo o Corinthians fez a gente sofrer até o último instante.
Amor, vida, paixão, sei lá, sentimento sem tradução, apenas confirmar que as surpresas nunca deixam de existir. Corinthians, um significado: ÚNICO.